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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

NA TERRA DA FANTASIA COM IARA ALVES

Iara Cardoso Alves de Belo Horizonte é uma “veterana” no campo da literatura infantil com mais de uma dúzia de títulos publicados, cobrindo leitores da primeira infância até o infanto-juvenil.             Imaginação abundante e “loufoque”, com coisas e situações fora do lugar, se organizando na forma de um bric-à-brac, constituem o fio narrativo. As histórias terminam mas deixam sempre a impressão de que poderiam continuar.             O jeito loufoque permite a Iara se colocar facilmente na pele de uma criança ou de um animal e imaginar traquinagens à beça. A rainha Victória, do livro homônimo, adora aprontar a zorra em seu próprio castelo, onde todos, a começar pela própria rainha, além do príncipe Boulevard, do Conde Ferdinando e da princesinha Tainah são malucos a valer:
“Diziam que ela tinha             Poderes mágicos e até             O dom de ver tudo de             Cabeça para baixo.”
            Quando se junta às crianças do reino, então, o castelo é literalmente virad…

HOME IS A QUIET PLACE

Além dos acidentes naturais, como oceanos, selvas e geleiras, o mundo está cheio de barreiras humanas que nos impedem de ir aonde nos der na telha.





























O homo sapiens, assim como seu primo pobre, o homem de neadertal, não teria ido tão longe hoje quanto no longínquo passado.
No entanto, mudar, experimentar um pouco da liberdade que indígenas, beduínos e ciganos transformaram em um estilo de vida constitui uma das melhores coisas da vida. 








O BOTÃO

As estatísticas mostram que as mulheres dirigem melhor do que os homens. O problema é que, enquanto o homem considera o carro um membro da família, com suas peculiaridades (lonas de freio, óleo do cárter), a mulher só se importa em virar a chave e pegar a rua. Até que, um dia, alguma coisa acontece e então ela é obrigada a descobrir que a tal da rebimboca da parafuseta realmente existe.             Assim como a junta homocinética, uma peça do carro que fica entre a roda e o eixo, transmitindo o giro do motor (cinética) para as rodas. Quando ela se desgasta, de duas uma: ou é por exaustão ou então é porque a suspensão está comprometida. O jeito é verificar tudo, o que é fácil: o mecânico suspende o carro com o uso do elevador e testa as buchas, pivôs, amortecedores e rolamentos. O que sacudir ou fizer barulho, fired!, está despedido.              Marília não sabia nada disso. Ficou surpresa quando o mecânico disse que era preciso revisar a suspensão - achou que ele estava se referindo ao…

ANA CAROLINA MACEDO BARBOSA

Literatura infantil e infanto-juvenil entre nós costuma ser sinônimo de paródia ou remake de histórias clássicas europeias, estilo Grimm, Perrault e Andersen ou de contos folclóricos nativos, com personagens da selva, sacis e botos-cor-de-rosa. No campo da narrativa, a maioria dos textos é previsível e pouco concorre para criar o tão propalado gosto pela leitura.             De tanto se falar e não fazer, a leitura, coisa tão elementar, que se desenvolve com hábito e acesso a livros de qualidade, se converteu em verdadeiro fosso cultural a nos separar de outros povos. No Brasil, obras literárias são divulgadas quase que como artigos de luxo e o ato de fazer literatura significa quase sempre tomar parte em um esquema comercial, ficando a arte para os autores independentes e alguns pequenos nichos do mercado. Ler nestas condições é quase uma pretensão, um passatempo burguês ao qual as massas trabalhadoras não têm acesso.             Mas o impulso que o segmento infanto-juvenil sofreu n…

UM POEMA DE FRANCE GRIPP

France Gripp é uma professora e poeta natural de Governador Valadares, no leste de Minas Gerais. Seu primeiro livro foi a coletânea Eu Que me Destilo, lançada em 1994, na qual o gosto da autora pelo verso apaixonado e “côncavo”, quase barroco não fosse pós-moderno, se evidencia.  Depois de uma incursão pela literatura infanto-juvenil que lhe rendeu dois livros, eis que Francirene (seu nome de batismo) retorna à sua praia natural, a poesia, com outra coletânea, Coração Incendiário, edição de 2014.             Fazer o strip-tease da alma, arriscando-se nos meandros mais obscuros da linguagem para afirmar sua individualidade em um mundo polivalente e triturador de ilusões, é a tônica das gerações que sucederam a Ferreira Gullar e a poesia marginal. As palavras são muitas vezes condutoras de alta voltagem, não raro o sujeito é vítima de choques, baques, cortes que ele mesmo se inflige. É assim fazer poesia nesses tempos implacáveis: em cada palavra, um golpe. Em sua versão feminina, essa c…