segunda-feira, 29 de junho de 2015

BAIXO PROFUNDO



            Ultimamente ando metido, entre outras coisas, com um grupo de canto que muitos insistem em chamar de coral, só que coral não é, deveria ser coro, pois “coro é uma formação vocal de pequeno porte, também chamada conjunto ou grupo”, diz o pai dos burros, mas a professora disse que coro é o mesmo que coral, que nós somos um grupo e ponto final. A professora, a propósito, deveria ser chamada regente, o que a honraria mais do que ser tratada como uma mestra de jardim de infância, porque essa coisa de soltar a voz é como aprender a comer com garfo, a gente acaba se lambuzando.
            E o grande desafio de cantar é , rererê, novidade, não desafinar, o que significa não descer a escala quando os demais estão subindo ou disparar um “ré” quando todos estão “lá”. Coisas que se aprende com treino, concentração e muito chá de maçã, excelente remédio para as cordas vocais, limpa e calibra, aconselha quem pode.
            O mais engraçado dos grupos corais são as fotos, mostram como a diversidade humana se manifesta na voz, parece até mesmo que as cordas vocais se desenvolvem como querem e adoram pregar peças. Nossas contraltos são do contra, as mais baixas da turma, os dois baixos vivem aos encontrões: um é alto, e sua cabeça se destaca na hora da foto, o outro, baixo profundo, é mais coerente, não chega a um metro e setenta. Nada a declarar do tenor, porque ainda não temos um, começo a desconfiar que nenhum dos meus companheiros quer ser tenor, acham que vão te chamar de Pavarotti, pedir pra sustentar a nota enquanto os outros descansam ou tiram meleca do nariz.  Melhor é ser barítono, mas voz não é coisa que se escolhe.  

O que as crianças fazem enquanto os pais se divertem?

            De qualquer modo, independentemente da voz, todos podem cantar, bem ou mal é uma questão de prática. Por isso a escolha do repertório é tão importante, não adianta pretender o impossível, sonhar com a Glória, se ela está resfriada, sua voz de soprano soa mais como um bumbo frouxo. Nos olhos dos cantantes de primeira viagem faíscam coisas como “Alleluja” de Haendel ou “Ode an die Freude” de Beethoven, entre chuvas de pétalas, do alto de um coreto imaginário, só que nossa maestra tem os pés no palco: “Vocês vão cantar “Cabeça Inchada” de Luiz Gonzaga.” Fazer o quê? O Rei do Baião merece tanto respeito quanto o gênio tedesco, não vale a pena esquentar - atenção, vai começar o aquecimento!
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Abrão Brito Lacerda
28 06 15



            

segunda-feira, 22 de junho de 2015

QUANTOS PROBLEMAS! VIVA OS PROBLEMAS!


 
(Imagem: www.filosofiacienciaevida.uol.com.br)
            Calma, não estou desejando calamidades a ninguém! Mas uma dorzinha aqui, um treco quebrado ali e um apertozinho financeiro não fazem mal a ninguém, muito pelo contrário. Não é a própria natureza que diz que o que não se usa, enferruja, carro apertado é que canta? As estações passam, da árvore ao eretus foram milhões de anos, não se pode desperdiçar a oportunidade, afinal, nascer humano é um imenso privilégio.
            A tolice é prima da inércia, só se aprende a lição através de inúmeros enfrentamentos, nos quais nos deparamos com a natureza transitória das coisas e das relações. A alegria passageira, a sensação de segurança material, uma medíocre existência, talvez, frequentemente precipitada. 
            O mundo metafísico não está em nada separado do físico, não existe aqui e lá, este mundo e aquele, eu e eles. Se a física nos explica(?) e a psicologia nos (des)complica, ainda estamos roçando a superfície da existência, a vida permanece um verdadeiro mistério. Somos a espécie dotada do fator volitivo, ainda que um leão feroz, que passa o dia descansando, obedeça de modo semelhante aos ditames do seu estômago.  
            A resposta para nossas inquietações está fora como está dentro, mudamos mudando o mundo e mudando com o mundo ao nosso redor. Sonhar com uma aposentadoria longe das turbulências, pescando no sitio, pode desencadear as leis naturais, que se encarregarão de ceifar o indolente, torná-lo pó precocemente para que sirva de adubo a outras formas de vida.
            A morte é a parte difícil, como se sabe, sobretudo por que ou se morre repentinamente ou se leva um tempão pra morrer. Colocados diante da questão, todos preferem resposta nenhuma e são condenados a morrer de qualquer jeito. Até lá, deverão lutar com um unhas e bengalas para honrar a espécie.
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Abrão Brito Lacerda

19 06 15

sexta-feira, 12 de junho de 2015

LOS SUYOS, LOS CERDOS Y LOS TONTOS


(Imagem: youtube.com)


            Se iba Pantaleón al trabajo, cuando se le ocurió de pasar a ver Arnold, no el Scwarzenegger pero si Jimenes, viejo amigo, propietario de una tienda de la Guernica con la Rambla, justo en la esquina. Lo encontró charlando con la dependienta, una chica de ojos oscuros. Era la semana muerta del comercio, los clientes se habían ido de chopp a la playa, Arnold podia hacer lo que quisiera.
            - He pasado por los escombros. ¿A quién los has vendido?
            - A los hermanos Arajuès. Van a pagarnos despuès del diez.
            Y Arnold cometió el acto fatal:
            - Te presento la señorita Mallagana, mi dependienta.
            - Encantado. La señorita es realmente muy guapa.
            - Muchas gracias.
            La señorita Mallagana llevaba escorte no muy amplio, lo suficiente para delinear los suenos vivísimos de una chica de veinte años y para hacer que la mirada pasara por los pechos trás haber admirado su cara. Los rayos solares llegaban hasta sus piernas, firmes y equilibradas.
            Fue una patada en los cuernos de Pantaleón, el fauno, experto en ordenadores, programación y banalidad. Era un hombre casado, esto es, no propiamente, puesto que su mujer había partido a ver los suyos con una amargura que se le crispaban los puños y la promesa de no volver nunca más:
            - ¡Inutil Pantaleón! Tengo ganas de echarte a la calle de madrugada y debajo de lluvia torrencial.
-  Y ¿porqué lo merezco, yo?
            - Por ser el padre de mi hijo, la más grande tontería que he cometido en mi vida.
            Fuera esa la razón para su paso en la tienda de Arnold, aunque había también la historia de los escombros, nada más que restos de una pocilga que tenían en sociedad para financiar el equipo de fútbol del barrio. ¿Cómo un técnico de computadora se habia aventurado por negocios tan esdrújulos? Fuera la insistencia de Arnold en una época en que la vaca loca había diezmado el rebaño vacuno de ciertas regiones del viejo continente:
            - El futuro pertenence a los cerdos. No podemos dejar que los chinos nos ahoguen con su yakisoba de carne falsa.
            - ¡Pero tú no sabes nada de porcinocultura!
            - Se puede aprender de todo si no es tonto.           
            Al final, los escombros y la acción del ministerio en contra los falsos granjeros, dificultad para hacer los pagos y para empeorar el escorte de Mallagana reflejados en lo escaparate de sus gafas. No quedó alternativa al bravo Pantaleón que idear un plan muy incomún: hacer que su ex-mujer, todavía deseada, lo vira com Mallagana y lo hechara de menos. Pero no fue así.

(Imagem: historiadelperu.blogspot.com)

           Se pasó lo que él esperaba inicialmente: trás hablar con los promitentes pagadores, o sea, los hermanos Arajuès, quedaron en la tienda de Arnold sobre las cuatro de la tarde, cuando se terminaría la siesta. Mallagana ya estaba, con un escorte más profundo y Arnold miraba al sesgo como quien tiene algo a ocultar. La plata roló entre los deditos y Arnold propuso un brindis a sus ilusiones caducas:
            - ¡A los cerdos que todavía no se convertieron en yakisoba!
            - ¡A la ingrata y a los suyos! - proclamó Pantaleón
            Su ex-mujer entonces irrumpió en el ambiente, como una paracaidista invocada magicamente por um código secreto. Pantaleón tartamudeó, los Arajuès también, pero no por la misma razón. “Es mi fin”, pensó el pobre Pantaleón ya esperando el golpe fatal. “Es para mi un nuevo comienzo”, pensaron los Arajuès, como si tuvieran la misma cabeza, gobernada por cuatro patas, veinte deditos y tontería al doble – “haré el imposible por esa mujer”. Y Pantaleón: “Sólo un milagro para salvarme.” Y los Arajuès: “Ese tonto de Pantaleón puede ser de alguna utilidad”.
            Arnold le tomó por el brazo y lo hizo sentarse, preocupado por su palidez:
            - ¿Qué pasa, hombre? Hemos hecho el doble del esperado por los escombros!
            - Aquella era mi ex-mujer. Por un momento pensé que había venido a matarme.
            - ¿La que ha salido de brazos dados con los hermanos Arajuès? Estás bromeando.
            - Juro por mi santa madre.
            Y mirando las burbujas de Mallagana que arfaban dentro del escorte:
            - Estoy muerto, veo las campanas del paraiso.
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Abrão Brito Lacerda
09 06 15