sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

C’EST À QUI LE TOUR?


(Imagem: lahirien.deviantart.com)

            18 heures et voilà le dernier train qui passe destination Le Bourget, puisque l’enceinte será bouclé dès ce soir pour la conférence sur le climat. Les gens font la queue derrière les guichets pourtant fermés. Jean a son billet, Il l’introduit dans la machine, le prend de l’autre côté et cherche l’entrée du Thalys. Aussitôt monté, il déplie le Star de la Fin du Monde et jette un coup d’oeil sur la une: “Série d’attaques suicides à Paris. Assaillants confondus avec des saucisses et servi au ménu d’un resto gastronomique”.
            “Mourir, ça leur donne la chair de poule”, pense-t-il. “Au four avec les cinglés!”. En effet, la page cuisine du Star affiche une recette de piton aux patates, ce à quoi Jean n’aurait jamais pensé!
            “Au lieu de proposer du caviar aux herbes fines, ces faux chefs – car Il n’y a rien de vrai dans cette histoire – nous dupent avec ses recettes extraites du confessionnel de Daech!”
            Pas d’âme vivante dans le train... Mais, si!, des officiers américains bien assis dans  leur uniformes à camouflage – vert foncé, gris mats. Le train prend la direction du grand nord, par la fenêtre c’est le défilé des champs de blé et tournessol,  comme dans un cinémascope.  Le glissement des roues sur les rails fait tloc-tloc, aussi doux soit-il, Jean tombe en sommeil profond.
Et c’est dans ce sommeil que la merveille se produit.
Soldes des Cliff & Lafayette à  Chevrilles, Jean n’était qu’un garcon de 13 ans à peine entré dans la puberté. Et la vendeuse, Melle Hornichon, espèce de brunette aux lunettes, et jambes longes en plus, mises en valeur par une jupe assez étroite qui tournoyait autour de ses hanches, sans oublier les talons 15 cm, ses mollets parfaitemente musclés, son léger accent du sud. Jean n’a echappé que grâce à son père, qui l’a traîne tout au long de la rue, tête en arrière. Ce fut sa première passion, platonique bien sûr, vécue entre l’édredon et la salle de bains, pendant beaucoup plus d’un an!


Mais, Dieu de Dieu, devant lui, en ce moment de son rêve, c’est la même sensation qui lui prend quand une paire de jambes aussi blanches que la pleine lune s’asseoit devant lui, se croise et se décroise, de peur de ne pas assez montrer, des talons fins comme des aiguilles - qui auraient pu bien lui percer le coeur -, le même léger accent du sud, mais pas de lunettes. Aurait-elle mis des lentilles de contact? Et les yeux, quelle couleur? Jean ne se rappelait point, à treize ans il n’oserait jamais regarder Melle Hornichon d’en face - alors, quelle couleur?
Ça ne compte pas après tout, car le train roule à 400 km/heures, il balbutie, enfin: “Vous allez à Bruxelles?”; “Oui, quartier de Molenbeek et vous?”; “Moi? Je rêve, enfin, pas complètement”; “V... vous n’avez pas l’air d’une musulmane”; “Surtout pas, je suis zen anarchiste”.
Quoi? Elle a de l’humour en plus. Jean ne se rend pas compte qu’il vient de pousser un cri, les mots  retentissent dans la voiture presque vide. “C’est inouï”, réagit-elle, “et pourtant ça fait longtemps que j’emprunte cette ligne.” Il dit “Tout le monde a peur maintenant. C’est comme si chacun attendait son tour”. Elle est bien tournée vers la fenêtre, comme pour se faire mieux repérer. Jean tente de déviner son âge, elle n’est plus jeune (comme lui, d’ailleurs), mais garde toute une fraîcheur de jeunesse. Son coeur s’accelère, elle le devine et tend le piège. “Vous n’avez pas peur, alors? Où allez-vous?”; “Je ne sais pas”, c’est ce qu’il dit.
“Ah, bon... Quelqu’un qui ne saît pas où il va!” Jean n’y comprends plus rien, il glisse péniblement ces derniers mots: “Ça vous gêne si je vous demande votre nom?”; “Pas du tout: c’est bien Lettice Hornichon. Je suis de Limoges, mais j’ai vécu longtemps à Chevrilles; ma famille y tenait un magasin”.
Alors, des hommes cagulés, portant des lourdes tuniques noires avec des inscription en arabe, descendent le couloir. Ils offrent à messieurs-dames des grosses saucisses, la taille d’une dynamite. Jean en prend une malgré lui et lit sur le label:  “Saucisses Al-Qaeboum!”. Il se lève d’un coup et essaie de s’enfuire dans la voiture bar & restaurant. Melle (ou Mme) Hornichon le suit. Les officiers américains courrent eux-aussi, tout en criant: “Get back! Get out! Gonna get fucked boomed!”
Les premiers tirs éclatent; par-dessus passent des oiseaux en fuite, des linges et des missiles. Est-ce la fin? Sans y pouvoir rien, Jean embrasse Melle (ou Mme) Hornichon sur la bouche. Elle correspond. Mais ils ne peuvent plus rien parce qu’une bombe encore plus puissante fait sauter son rêve: “Al… Qaeboum!!!”

Essayez le french kiss (baiser avec la langue). Au fur et à mesure que le baiser évolue, vous pouvez essayer le french kiss qui consiste à insérer légèrement votre langue dans la bouche de votre partenaire pour toucher la sienne.

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Abrão Brito Lacerda
18 12 15






               


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

FRANGO À MATUTINA

        

          
         Nossa balada começou em Belo Horizonte, em um sábado de manhã,  munidos de pouca bagagem e muito expectativa, dois casais num Volkswagen gol mal alinhado que empinava para o lado como um burro. Nosso destino final seria Matutina na região do Alto Paranaíba, mas antes tínhamos uma recepção de casamento em outra cidade. A alegria imperava, ainda que houvesse um certo suspense com relação à ceia, para a qual apenas o Jay tinha sido convidado. Como um mágico, ele transformou o convite para um em um convite para quatro, e fazia altas promessas:  
- Elvis é um verdadeiro gentleman – ele elogiava o anfitrião -, vai nos brincar com um banquete!
- Um churrasco já basta, respondi, se tiver uísque e cerveja.
- E festa também! comentaram as mulheres.
- Mas é claro que vai ter – e só coisa boa, assegurou Jay.
Dispensamos o almoço e optamos por um lanche rápido de beira de estrada. Mas aproveitamos a parada para comprar algumas maçãs.
Chegamos à cidade da recepção ao final da tarde, pois as estradas do interior tem lógica própria que a gente demora a entender: você procura uma cidade e dá em uma granja de galinhas ou um arrozal.
Primeira providência: procurar UM hotel. Logo descobrimos que se tratava DO hotel, o único da cidade. Um reforço ao lanche seria bem-vindo, pois ainda teríamos algumas horas até a recepção. Mas não tinha onde, nenhuma lanchonete ou restaurante disponível!
Então, nos preparamos: ducha, prendas femininas, um blazer para parecer mais distinto e aguardamos a hora de sair.
Chegamos ao local, sentamo-nos e aguardamos. Oito e meia, nada. Teríamos errado de horário? Provavelmente não, porque havia outras pessoas. Nove horas, demonstrações de impaciência de nossos estômagos, que começaram a roncar. Lá pelas dez, o buffet...
Ao invés de um suculento churrasco regado a cerveja, foram servidos salgados frios em pratinhos de plástico, acompanhados de refrigerante.  O Jay comentou ao meu ouvido (baixinho para que as mulheres não ouvissem):
- Poderíamos usar como pelotas para nossos estilingues...
- Ou bolas de gude...
- Xiiiii!
As mulheres bancaram as mandonas, como sempre. Mas seu charme não resistiu à primeira mordida. Se orgulhosas ou ofendidas, não sei, mas a verdade é que elas se puseram de pé e nos deram nova ordem:
- Vamos procurar um restaurante!!!
- Mas não tem restaurante, bem. Não temos onde comer.
- Então, preferimos voltar para o hotel!!!
Foi o que fizemos. Por sorte, as maçãs compradas na estrada ainda estavam intactas e renovamos nosso estoque de bom humor, parodiando a nós mesmos:
- Isso é que churrasco!
- Da próxima vez, traremos a carne!
 Decidimos partir para Matutina na manhã seguinte, tão cedo quando possível.  
- Mas antes preciso consertar o carro, avisei. Essa coisa de faróis falhando deve ser o alternador.
ERA o alternador; e a bateria estava descarregada. O carro virava, sacudia-se como num ataque epilético - e morria! Fomos a pé, Jay e eu, em busca DO mecânico que, por milagre, não tinha ido pescar naquele domingo, conforme disse sua mulher. Mas o homem era sem pressa, como tanta gente no interior. Uma martelada, um dedo de prosa. Ficamos sabendo que a região da Serra do Salitre foi colonizada pelos bandeirantes, que foi citada na obra do explorador Auguste Saint-Hilaire e que existe uma briga séria quanto ao gentílico: alguns se chamam serralitrenses, outros preferem serra-salitrenses.
- E o senhor, o que é, ainda que eu mal pergunte?
- Serra-salitrense!
Plenos da cultura local, partimos contudo com máxima pressa quando o sol já ia a pino. Eu não sabia se devia confiar na nova promessa do falso Jay:
- Eu tenho parentes em Matutina. É tudo gente boa!

Matutina, MG, em foto antiga.
 Ainda assim, aceitei pegar uma estrada de chão na direção de Contendas, uma localidade pacífica no “subúrbio” de Matutina. E foi lá que encontramos “Maria da Dona Sebastiana”, como ela se apresentou, a gentileza em pessoa, uma senhora que enfrentava a vida com valentia após a morte trágica do marido, chifrado por uma vaca de leite.  Agora ela tocava a fazenda com a ajuda das filhas.
O Jay exagerou dessa vez, para nossa falsa surpresa:
- Precisamos comer. Não almoçamos desde anteontem. 
Sem delongas, Maria caçou seu mais belo capão, enquanto uma das filhas colhia os quiabos no quintal. Atiçaram as brasas do fogão e nós nos sentamos em redor, vendo-as preparar o guisado: sal pilado com alho, “pimenta?”, “sim!”, cheiro verde, colorau; o frango separado em pedaços, envolvido com o tempero, tão fresco que já seríamos capazes de comê-lo; o quiabo lavado, seco cuidadosamente, cortado em rodelinhas e refogado em óleo. Em outra panela prepararam o arroz, tão branco quanto o sorriso da dona Maria.
Colhemos mamão maduro no quintal para a sobremesa. Dona Maria ofereceu-nos inclusive pinga da adega do ex-marido, que quase declinamos.
Recuperamos a habitual gaiatice. Um único instante de vida pode nos fazer viver os três mil mundos do passado, presente e futuro.
©
Abrão Brito Lacerda
13 11 15


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

VÔ & NETINHO

(Imagem: drang.com.br)

            Não se trata de uma nova dupla caipira, mas sim dos próprios, os inomináveis, harmonicamente divergentes e radicalmente concordes, deslocados deste mundo como peixes na areia do deserto.
No café da manhã, e mesmo antes:
            - Filho, café!
            - Já vou!
            - Por que ligou esse tablet? Vem logo!
            Cinco minutos depois:
            - Filho, já falei dez vezes! Vem tomar café!
            - Dois minutinhos...
            - Agora!
            E o vô:
            - Seu Leimar, o café está pronto!
            - Hã?!...
            - Café da manhã!
            - Tô no banheiro lavando as mãos.
            - Isso aí é o vaso!
            - Hã?!...
            Cinco minutos depois:
            - Seu Leimar, vem tomar café!
            - Tô esperando.
            - Na garagem?
            - Hã?!...
            Por um feliz acaso, avô, neto e pais se encontram à mesa:
            - “Põi” (= pai), sabia que zerei o Don’t Starve?
            - Zerou?
            - Zerei. Tinha mais de cinco mil pontos e depois detonei o Darkwing, o maior apelão de Iceland! - “Iceland” é “terra do gelo”, não é “põi”?
            - Isso mesmo!
            O avô admira as broinhas com reverência.
            - Estão deliciosas! Experimente uma!
            O avô é obediente, mas tem uma pergunta recorrente:
            - Toninho ainda não levantou?
            - Toninho está em Belo Horizonte, pai. Aqui é Timóteo.
            - Hã?!...       
            Avôs e netos são igualmente espaçosos, uns por que são velhos, outros porque são jovens demais. Depois que o filho nasce e cresce, novas regras são impostas à casa e o pai é convocado a dar exemplo de sacrifício:
            - O menino está com medo de fantasmas e vai dormir na sua cama!
            - Mas ele tá grande o suficiente pra dormir sozinho!
            - Claro! Você vai dormir na cama dele!
            As crianças, como se sabe, são difíceis na hora de comer, para desespero das mães, que imaginam o tempo todo que sua prole está passando fome – antes de começar a criticá-la por estar ficando gorda com a comida que ela lhe empurra sem parar.
            - Não quero bife de fígado e salada, mãe, quero miojo.
            Ataque de nervos:
            - Vai comer tudinho ou ficará um mês sem televisão!!!
            - Pode tablet?
            - Sem tablet, sem video game, sem nada!
            - Quero miojo com atum!
            - Ahhhh!!!...
            O pai compreende a necessidade de mais um sacrifício:
            - Deixa, eu como o bife dele...
            Assim, quando o avô chega, não há surpresa. Logo vem a mulher com o recado:
            - O pai vai dormir na sua cama. Ele precisa de um colchão macio e firme.
            - Todos os nossos colchões são assim.
            - Não me venha com seu egoísmo! O pai só vai ficar uma semana!
            Os velhinhos passam muito tempo diante da televisão, dizem as estatísticas. Comem e dormem, literalmente. Os cuidadores acham que os velhinhos não dão conta de mais nada e os deixam engordando no sofá. Deveriam permiti-los arriscar-se mais, ainda que quebrassem algumas costelas.
Às três da tarde, seu Leimar está roncando de boca aberta diante da tv, sintonizada em um filme qualquer.  É despertado por uma voz que atua como seu relógio biológico:
- Chazinho, pai?
Seu Leimar aceita, sempre de bom grado. No meio do chá, para, com uma pergunta recorrente:
- Mas Toninho está demorando, hein?
- Toninho está em Belo Horizonte, pai. Aqui é Timóteo!
- Hã?!...
Os dedos do menino se movem com rapidez impressionante sobre o console do game e suas perguntas brotam de modo igualmente surpreendente:
- “Põi”, a extinção dos dinossauros foi na Era Mesozóica?
- Não sei, vou ter que “gugar”...
- Meu livro de ciências diz que foi na Era Mesozóica.
- Então foi na “Era Mesozóica”.
- O Espinossauro foi o mais poderoso dos dinossauros, sabia?
- Não foi o Tiranossauro rex?
- Que nada! O Espinossauro era muito maior, tinha dentes muito afiados e podia nadar como um pato.
E virando-se para o avô:
- Vô, sabia que as primeiras flores surgiram no período Cretáceo?
- Toninho tá no quarto? Bem que eu vi que ele tava demorando...
- Toninho está em Belo Horizonte, seu Leimar. O senhor vai vê-lo na semana que vem.
- Hã?!...
Vô & Netinho adoram os comandos que eles passam o dia inteiro a subverter. É uma necessidade endêmica, parecem estar programados para reagir a um agente externo – a voz da mãe ou da filha, por exemplo:
- Filho, já pra cama!
- Dois minutinhos...
- Agora!
O avô admira o copo de cerveja vazio – Ah, não, ele já ferrou no sono de novo...
- Hora de dormir, pai! A cama está pronta!
Cinco minutos depois:
- O que está procurando, seu Leimar?
- Quem tirou minha cama daqui?
- Isso aí é o banheiro, seu Leimar, o quarto fica ao lado!
- Hã?!...

©
Abrão Brito Lacerda
23 10 15



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Y LAS CHICAS SE VAN


(Imagem: www.gothling-academy.blogspot.com.br)

            A Pantaleón le gustan las mujeres de sonrisa furtiva e ideas matemáticas, como no hay muchas cerca de aquí. Le dijo su amigo Condorcito:
            - Las chicas, hay que saber mirarlas.
            - Tú hablas como si fuera profesional.
            - Soy amante de las formas, plasticidad y delirio.  
            - A mí me basta la imaginación.
            - Es modesto, por cierto.
            - Y un poco casto también.
          Pero Condorcito no juega la toalla:
            - Mira, Pantaleón, hay una fiesta en el Country Club el próximo viernes. Alicia, Rubia y  Fausta van a estar sin duda.
           - ¿Alicia, Rubia y  Fausta?
           - Sí, hombre, "las tres"...
            - No sé... no las conozco - y las mujeres...  
            - A las chichas les gusta la buena charla.
            - Las casadas y las solteras?
          - No te pierdas en la imaginación, Panta. Rubia es viuda, Fausta está soltera trás dos casamientos fracasados y Alicia busca un nuevo compañero. Hasta viernes, puede prepararte.
          Y había mucho que hacer, a empezar por los sueldos de la tienda Allmayac donde trabajaba Pantaleón - sesión de empaquetamiento.  Navidad se aproximaba y él tenía que llevar paquetes escalera arriba y tres pisos abajo. Sobre las seis iba de copas al café Tamotes y allí encontraba, siempre, su amigo Condorcito:
            - Mira "las tres" – le muestra las fotos en Instagram.  Alicia tiene siempre esa sonrisa larga; Fausta es austera pero está animadísima; y Rubia, así toda de negro, es más sexy, ¿no?
            Pantaleón hechó un vistazo en Rubia: de hecho, una rubia de treinta y pocos años, con piernas rollizas y "derrière" de Venus de Milo. Todavía no pareció enamorado:
            - Mira, Condorcito, no voy a la fiesta por las chicas; pero sí porque quiero hacer nuevos amigos que sepan jugar al ajedrez.
            - Te digo, Panta, no te escaparás de una de "las tres"...
            Dos veces más Condorcito le repitió aquella historia de "una viuda de treinta años todavía muy activa, una coleccionadora de maridos y una pin-up desesperada, dispuesta a todo".
            Pantaleón alquiló un traje apropriado, combinado con zapatos de charol negros. Quería dar buena impresión; le gustaría muchísimo encontrar alguien que supiera jugar al ajedrez. ¿A las mujeres les gusta el juego de la reina y del caballo? De salida, no olvidó los auriculares fake, que no eran para parecer moderno pero sí para no escuchar lo que sería para él la “más horrible música” del mundo.
          Las presentaciones, más que lo esperado; la charla, el inútil y el fútil en iguales proporciones. No había nadie que conocera un poco de la estrategia de Karpov o Bob Fisher. La música no era el horror absoluto, se bailaba al sonido del rock and roll; “las tres”, bueno, no se puede decir que sorprenderon el mago Pantaleón, puesto que él curió hasta el lounge y quedó a mirar el lago de los cisnes rojos. Su amigo Condorcito, borracho, andaba metido entre los pechos de Alicia.
            Una mano ligera se le posó en la espalda:
            - ¡Que suelito estás!
            Pantaleón trembló, como si fuera fustigado por un latigazo.
            - ¿Es tú el sobrio Pantaleón?
            - Si, soy yo, y tú es...
            - Fausta, amiga de Condorcito.
            - Siéntate, está más fresquito aquí.
         Fausta no se hizo rogar, se sentó de modo que sus tetas pudieran mirar Condorcito de cara y viceversa.
            Pasito para acá, pasito para allá y Pantaleón se vió con una mano dentro del décolleté de la dama. Calafrio y huida del noble Panta. Fauta le persiguió hasta los tramos de la escalera y de allí hasta la terraza, donde se dio el atraco. Pantaleó se puso desesperado ante la idea de que alguien podría verlos - y se escapó en la dirección del salón.


(Imagem: www.capablecapacity1212r.blogspot)

            Entremientes acontecía el concierto de los Crikets, banda psychobilly cuyos miembros tocaban disfrazados de zombies. La crooner llevava una ropa de muñeca extraterrestre, bailaba como loca y daba cachetes en las nalgas de una modelo de cinta liga y calzoncillos. Silbidos, humo, rock and roll... Pantaleón se puso en el clima, un trago, dos tragos, tres o cuatro más... ¿En qué pechos estaba metido Condorcito, el falso ingenuo? Nada más qué hacer sino bailar y olvidar el ajedrez... 
            Manita en la espalda, Pantaleón se volvió:
            - ¡Panta! Cómo te sientes?
            - Más o menos... ¿Dónde fuiste?
            - No hace falta. Mira, esta es Rubia!
            Ah, sí, la rubia, personalmente mucho más atrayente. Panta se arrependió de haberse desvencijado de Fausta, la morena. Rubia y su piel de cetin rosa hicieron hervir su imaginación. 
           - Me alegra que te estés divirtiendo. ¡Hasta pronto!
        ¿Hasta pronto? Condorcito, ¿cómo puedes irse ahora con esa mujer, manita  bajo la línea de la cintura? ¿Y yo, tu amigo Pantaleón?
        La música tocó más alto. Más silbilos, más tragos, ruído de gente que se lanzaba en la alberca de la cobertura. Las estrellas en el cielo y el ajedrista Pantaleón por testigo...

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Abrão Brito Lacerda
09 10 15

            

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

INDEPENDÊNCIA DE MORTE!


(Imagem: www.memorialculturalunaí.blogspot.com)

            Quase véspera do dia 7 de setembro, a fessora Juliana perguntou à turma do 5º ano:
            - Por que segunda-feira que vem é feriado?
            Juquinha levantou a mão:
            - É porque meu pai disse que temos que ir no sítio da vovó fazer um churrasco e eu vou montar a cavalo e ir passear no córrego...
            - Buuuuu!  Nerd apelão!
            - Gabriel, o que comemoramos em 7 de setembro?
            Gabrielzinho ficou no aperto, tinham-se passado duas semanas da prova e ele agora confundia as datas. Arriscou com um fio de voz:
            - Proclamação da República?
            - Quá! Quá! Quá!...
            - Silêncio! – tia Juliana começou a ficar inquieta. – Alguém conversou com os pais a respeito?
            Ivan, o terrível, se apresentou:
            - Falei com minha mãe, ela disse que não podemos comemorar nada ainda porque temos que economizar para a viagem à Disney no mês do Halloween...
            - Uá! Uá! Vai virar o Wizard do Don’t Starve!


(Imagem: www.profisabelaguiar.blogspot.com)

            Por essas e outras, as antigas celebrações cívicas perderam lustro e prestígio e hoje estão confinadas ao cercado da Dilma em Brasília. Com uma ou duas exceções, como a que pude testemunhar nesta sexta-feira, antevéspera do 7 de setembro: desfile antecipado em pleno centro comercial da cidade, entre carros e pedestres, com alas organizadas e faixas alusivas, de pirraça, sem dúvida, para lembrar aos desmiolados compatriotas que o Brasil tem história e, se o presente é capenga e o futuro incerto, o passado merece ser exumado e reescrito.
            Havia até mesmo uma ala de escravos no desfile cívico dessa sexta-feira, com meninos trajando calças de algodão grosso e atados uns aos outros pelos punhos. Como na mente infantil ser escravo ou imperador dá no mesmo, afinal tudo é carnaval, melhor é desfilar em trajes mais adequados ao clima tropical do que envergar um terno de veludo e meias de algodão só para representar o monarca – que nem sequer era brasileiro, foi mandado de volta a Portugal com a proclamação da república. Dizem que só não mandaram os negros juntos porque o navio era pequeno.
(Imagem: www.dudelamonica.
blogspot.com)
            Nos meus tempos de escola primária, ansiávamos pelo 7 de setembro como Juquinha ansiava pelo passeio ao sítio da vovó. Em uma ocasião, fui selecionado para integrar a ala dos escravos da Escola Municipal Machado de Assis (nome que eu estranhava, pois, para mim, menino de roça, acostumado com foices e outros utensílios, aquilo só poderia ser “machado de aço”!). Para aumentar a autenticidade, nós, brancos e pardos, fomos bezuntados de azeite com pó de carvão. Ficamos mais pretos do que os próprios africanos, das orelhas até as solas dos pés.

            Sob um sol de mais de trinta graus, enfrentamos o inferno pelas ruas de terra, arrastando correntes e ainda mais com o capitão do mato (um menino maior, adereçado com botas, chapéu pontudo e bacamarte) berrando aos nossos ouvidos. Naquela época a coisa era tomada a sério, havia palanque e comissão julgadora para escolher os melhores dentre todas as escolas. Não levamos o prêmio, mas, surpresa, um garimpeiro recém-chegado da lavra comoveu-se com nosso infortúnio e anunciou publicamente:
            - Vou oferecer uma “pedra azul” aos escravos!
            E ofereceu mesmo, para alarde dos alunos da escola “Machado de Aço”.
            Fomos aplaudidos como heróis, provavelmente a única vez em que isso aconteceu com um bando de escravos. Levamos um emocionado abraço do professor Marivaldo, idealizador do desfile, que nem sequer se importou em levar para casa um pouco da nossa borra de carvão impregnada na roupa.
            O imperador e seu séquito, com pajens e trambiqueiros, ficou morrendo de inveja. A Pedrita foi exibida como digno troféu pelos falsos meninos negros, mas o professor Marivaldo, com ares de sábio conselheiro, e com a anuência da diretora, declarou:
            - O prêmio é para toda a classe. Dá para fazer uma excursão de fim de ano.
            As semanas seguintes foram de frenéticos planos de viagem, praia, cachoeira, talvez alugar uma sorveteria. Só que a venda da pedra estava demorando demais. O professor Marivaldo, que tinha vindo de fora trabalhar na vila, andava matando aula, logo veio a explicação: ele tinha ido consultar pedristas (nome dado aos comerciantes de pedras) em Teófilo Otoni e além, buscando o melhor preço, agora já orçado na casa dos milhares de cruzeiros.
            Esperamos até o final do ano, o professor Marivaldo nunca voltou.


(Imagem: www.naufragodautopia.wordpress.com)

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Abrão Brito Lacerda

09 09 15

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

50 ANOS DE BUDISMO NO VALE DO AÇO, MG




Apresentação do Coral da Divisão Sênior, com regência da professora Íris.

            Ipatinga e região viveu neste 22 de agosto de 2015 um dia histórico com a Convenção Cultural em comemoração aos  50 anos da implantação do Budismo de Nitiren Daishonin no Vale do Aço. O evento é tanto mais significativo porque se confunde com a própria história da cidade, pois foi através da siderúrgica Usiminas, criada em outubro de 1962, que os primeiros japoneses se instalaram no que à época era uma vila pertencente ao município vizinho de Coronel Fabriciano, vindos sobretudo dos estados de São Paulo e Paraná. Com os imigrantes vieram os hábitos e a cultura, com destaque para a culinária e artes como a ikebana, o origami e a caligrafia, além da filosofia grandiosa do Budismo. 
            Muitos tinham se convertido ainda no Japão, outros se converteram após chegarem ao Brasil, graças ao impulso propagador do pós-guerra promovido pela Soka Gakkai, no movimento chamado Kossen-rufu.


           
Apresentação da Divisão Feminina de Jovens.










Crianças seguram cartazes alusivos à história da BSGI no Vale do Aço.











Dança das fitas, descontração e alegria











KOSSEN-RUFU E DESENVOLVIMENTO DE VALORES HUMANOS

          Kossen-rufu significa ampla propagação e é uma das bases do Budismo de Nitiren Daishonin. Ele obedece ao princípio fundamental budista de que o ser não se separa do seu ambiente, ambos constituem a mesma entidade, o que em termos sociais significa que o indivíduo não pode ser pensado separadamente de sua comunidade. Sendo assim, para realizar a revolução humana ou auto-aprimoramento, que é o objetivo primordial da prática budista, é preciso atuar junto às pessoas, realizando na prática – e não de forma meramente doutrinal ou teórica - a compaixão e a solidariedade.  
            Ao mesmo tempo em que realizam essa nobre missão, os dedicados membros da Soka Gakkai buscam revelar e desenvolver valores humanos através de diferentes práticas dentro do meio social. De 1965 até hoje, o Budismo tem se expandido cada vez mais entre famílias sem ascendência nipônica, constituindo uma das forças motrizes em favor da paz, cultura e educação em nossa região.


Crianças ensaiam para o evento.

           





Crianças ensaiando pouco antes da apresentação.









Banda feminina com crianças.











A VERDADEIRA FELICIDADE

          O compromisso com a criação de valores está na própria origem da Soka Gakkai, sociedade civil japonesa cujo marco inicial foi o lançamento do livro Soka Kyoikugaku Taikei (Sistema Pedagógico de Criação de Valor) de autoria do professor Tsunessaburo Makiguti, em outubro de 1930. Na introdução dessa importante obra pedagógica do século XX o professor Makiguti afirma:

         “A verdadeira felicidade só é alcançada compartilhando-se as tentativas e sucessos dos outros membros da comunidade. É fundamental, portanto, que qualquer conceito genuíno de felicidade contenha a promessa de comprometimento total com a vida da sociedade.”
           
EXEMPLO DE UMA FAMÍLIA PIONEIRA

          Abaixo, fotos da família Inoue, que imigrou inicialmente para a Amazônia e posteriormente mudou-se para Ipatinga.


Senhora Kikuko Inoue tocando harpa japonesa, ainda em seu país de origem.











Imigrantes japoneses na Amazônia.



Senhora Kikuko Inoue (em pé à direita) e filha Yoshiko Inoue
(em pé à esquerda) no Kaikan, em Ipatinga, MG.











RECONHECIMENTO

           Como reconhecimento à atuação da comunidade budista na região, foi entregue, através de iniciativa da câmara municipal de Ipatinga, um diploma de menção honrosa à BSGI – Brasil Soka Gakkai Internacional -, representada entre nós pela Região Metropolitana do Vale do Aço, por sua incansável promoção dos ideais budistas da paz, do diálogo e do entendimento entre os povos.


O vereador Wesley Lei do Trânsito, esquerda, entrega diploma de Menção Honrosa à BSGI - Vale do Aço, aqui
representada pelo senhor Yasuhiro Urabe, à direita.

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Abrão Brito Lacerda
26 08 15