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Mostrando postagens de Novembro, 2013

A MORTE DO VENDEDOR DE PICOLÉ

 Esta cidade tem tanta coisa interessante! Um ar que se deposita como pó cinza escuro sobre os móveis, uma obra em cada esquina, muitas mulheres bonitas, vendedores e compradores de todos os tipos, até policiais. Todos trazem sua contribuição ao bem comum e dele se beneficiam, mas alguns se beneficiam mais do que trazem, como os larápios e os políticos. No caleidoscópio da malha social, vários tipos se cruzam e interagem, cada um buscando o seu próprio caminho. A cidade não é mãe, apenas madrasta: pode recompensar ou punir, mas jamais terá sentimentos. O chão onde se pisa é responsabilidade de cada um.             O chão em questão é o mesmo para muitos, alguns mais fortes, outros mais fracos. Automóveis, bicicletas, caçambas, pedestres. E vendedores ambulantes, entre os quais viceja a dura luta que as classes populares têm que encarar no dia a dia: Um verdureiro fabricou sua banca segundo o modelo de um carro de bois, com rodas enormes e uma haste por onde a mesma é puxada através da…

ZAÍRA E OS POETAS

Não é todo dia que se é convidado para uma reunião de poetas. Especialmente quando não se é um, como é o meu caso. Mas escrevo também sobre poetas, e tomara que isso acabe me impregnando de algum modo, já que a poesia é um mistério que me assusta e fascina.             Fascina-me pela natureza de sua revelação: nem todos conseguem combinar as palavras de modo a obter o efeito poético. Alguns dirão, talvez a maioria, que tudo é uma questão de técnica e que poesia se aprende fazendo, que é um oficio de palavras, etc. Mas não é. Poesia supõe uma afinação entre emoção e palavra - qualquer que seja a emoção, sublime ou decadente – que não se obtém por simples querer. Ela não exige sequer um determinado nível de instrução ou cultura (como bem mostra Patativa do Assaré, “poeta da roça”, como ele mesmo se definia), pode surgir no ser e depois desaparecer (vejam o caso do Rimbaud, que abandonou a poesia para ser um reles comerciante nômade) ou manifestar-se na idade tardia (exemplo …