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Mostrando postagens de Março, 2012

SETE PARA VIVER (Conto)

1ª parte

         - Pega! Mata! Esfola!          Multidão furiosa assim nunca se viu. Também pudera, aquele mágico trapaceiro levou os prêmios do bingo, boa soma em dinheiro e alguns vales-transporte. O Clube dos Pelutos estava profundamente chocado, mal acreditavam que havia alguém mais esperto do que eles. Então, pega, mata, esfola esse mágico safado!


         Mr. Beam entrou no primeiro beco que encontrou, à direita, e escondeu-se sob os degraus de uma escada. Conseguiu desaparecer, valendo-se de suas artes de magia, e a multidão passou sem o notar. Retirou da cartola, primeiro o coelho, depois o passarinho e, por último, a féria do dia: dava para viver por uma semana, levando uma vida frugal de mágico.
         Naquela noite, pediu risoto de lagosta com vinho rosê no Jarba’s. Convidou Milaine para jantar. Alugou um smoking e ainda a arrebatou retirando o coelhinho Tornado da cartola, o qual teve igualmente sua noite de gala, comendo frutas e parte da sobremesa.
         O resto da se…

STÉPHANE MALLARMÉ: SALUT

Os versos que ilustraram certa vez o topo deste blog:
Une ivresse belle m’engage Sans craindre même le tangage De porter debout ce salut,
são do poeta francês Stéphane Mallarmé (1842 - 1898), nome fundamental na história do gênero e um  dos autores da minha predileção.          Antes de maiores comentários, gostaria de apresentar o poema. Não exijo que o leitor saiba francês, pois vou tentar “explicá-lo”. Se souber, melhor:
SALUT
Rien, cette écume, vierge vers À ne designer que la coupe; Telle loin se noie une troupe De sirènes mainte à l’envers.
Nous naviguons, ô mes divers Amis, moi déjà sur la poupe Vous, l’avons fastueux qui coupe Le flot de foudres et d’hivers;
Une ivresse belle m’engage Sans craindre même le tangage De porter de

CUMURUXATIBA, BAHIA

Convido-os para uma viagem por Cumuruxatiba, um vilarejo localizado no município do Prado, no extremo-sul da Bahia. Ver ou rever praias lindas e lugares tranquilos, relaxar. Percorrer quilômetros de litoral bem preservado e escolher onde se quer ficar. 


       O céu emoldura a paisagem de azul cobalto claro.
       Pique-nique estival na praia do Calambrião.
 A tarde é longa, o pique-nique prossegue.


       Cair da tarde, uma cerveja. 
        A lua por testemunha.
              Barra do Cahy na maré alta de julho.

       E na maré baixa de janeiro.

BUENOS AIRES: MELANCHOLY BLUES

Não deve ser comum valer-se do blues para representar Buenos Aires. O tango, é óbvio, seria a tradução da verdadeira alma portenha. Mas o tango me é externo, admiro sua estética e teatralidade sem compartilhar seu sentimento. Enquanto que o blues é negro e está mais próximo de mim, que, como brasileiro, me vejo em parte assim.
A melancolia das ruas retas e largas, um tanto desérticas à noite no mês de janeiro. Da cidade dos pedestres, plana e agradável ao olhar de quem caminha.

       Pouco a pouco, nos habituamos ao ritmo ágil e constante da marcha portenha, à qual se acrescentam como agradável surpresa muitas bicicletas e até patins e skates.

Percorrer a Calle Florida à noite, da Plaza de Mayo à Plaza San Martin, cruzando com gatos e outros seres noturnos. Ou fazer o mesmo trajeto de dia,quando está apinhada de turistas, mais para ouvir e ver sua música de variados ritmos e formatos.



       Puerto Madero respira solidão com sua arquitetura grandiosa e distante. Trata-se de um cartão p…